quinta-feira

Brinquedos Afiados...

Quando as lanternas se apagarem - Parte 1

Eva forçava os olhos para ler os rótulos nas embalagens. A luz da lanterna estava fraca.
- Joseph! Pega pilhas pra mim! Estas aqui não duram mais uma noite!
Passos ecoaram nos corredores. Os sons eram os melhores aliados, uma vez que a noite caía. Antes do ocorrido, as pessoas não prestavam atenção nos sons ao seu redor; depois, ele se tornou a principal arma de sobrevivência. Só sobreviviam aqueles que aprenderam a ouvir...
À cerca de cinco estantes de distância, Joseph gritou.
- Não estou encontrando, Eva! Devem ter levado!
- Procure no caixa - Gritou Edward, agachado ao lado da porta.
Joseph andou, tropeçando em algumas embalagens caídas, até chegar ao balcão do caixa. Eva continuou vasculhando os enlatados e Edward voltou a ouvir atentamente qualquer ruí proveniente das ruas aparentemente vazias.

Não falavam, Gritavam apenas o necessário, pois não podiam chamar atenção.

"Vamos passar despercebidos" disse Eva há dois dias quando chegaram à cidade. Até agora, tinham conseguido. A falta de qualquer movimento chegou a fazê-los acreditar que a cidade estava abandonada; mas isso era algo simplesmente impossível. Há algumas horas, tinham ouvido, depois de um dia e meio, o primeiro ruído que não era proveniente deles. Desde então, passaram a falar pouco e evitavam barulhos desnecessários. Não era totalmente tensão; era também um procedimento de precaução.

Joseph passava a luz da lanterna pelo caixa, em busca de qualquer coisa que fosse útil e que eles não estivessem levando ainda. Pegou todas as pilhas úteis que conseguiu: tinham sorte das lanternas terem durado tanto tempo e só começarem a falhar agora, que tinham pilhas novinhas ao seu alcance. "Não devem ter passado por aqui" pensou ele. Uma das maneiras de saber quão precavidos estavam os últimos que passaram por ali (se é que o fizeram) era checar se ainda tinham pilhas disponíveis. Joseph torcia para não encontrar qualquer mancha de sangue pelo supermercado; se estivesse limpo, as chances de estarem próximos a um lugar infestado era menores. "Não, não passaram por aqui. Não conseguiram chegar. Somos os primeiros aqui" reargumentava para si mesmo; aprendera nos primeiros meses após o ocorrido que otimismo melhorava as noites de sono, mesmo que estas durassem apenas algumas horas.

Colocou as pilhas na mochila, pegou sete embalagens de chicletes que sobravam e foi ver as bebidas.

Eva olhava as datas de validade dos enlatados. Estava confiante que comeriam muito bem aquela noite, alem de dormirem mais tranquilos: conseguira algumas latas de atum no prazo de validade, uma maneira de saber que não tinham passado por ali. "Podíamos ficar aqui semanas se soubéssmos quantos tem na cidade". Uma leve onda de tristeza a invadiu. Tinham banheiro, água, bebida e comida. Era praticamente um paraíso; mas não poderiam demorar muito tempo ali; quando ELES encontravam comida, vinham como formigas. Na verdade, quase pelo mesmo mecanismo: barulhos podiam atrair alguns próximos, mas o cheiro de sangue era capaz de atrair centenas em apenas alguns minutos.

Eva sentiu outra onda de tristeza quando se lembrou: lá não tinha munição. Poderia, milagrosamente, existir poucos naquela cidade; mas ainda existiam. As balas podiam estar em maior número, mas se dispersavam mais facilmente.

Jogou todas as latas na mochila e assoviou para os dois, indo para o fundo do corredor e ajoelhando-se no chão.

Edward esperou, ainda atento à rua e aos ruídos. Lá fora, a única luz era proveniente da lua; os postes tortos na penumbra pareciam enormes braços de escuridão saindo das ruas. Os carros vazios eram colinas que podiam dar-lhes algum tempo se o pior acontecesse. Ele já conseguia ver, todos eles avançando numa massa frenética, passando or cima das latarias, os centímetros atropelados conforme se aproximavam mais e mais...

Joseph assoviou, indo para o fundo com Eva. Edward olhou uma última vez para fora.

Silêncio.

Tinha desacostumado de olhar para uma cidade e procurar buzinas, passos apressados e pessoas falando. Há anos que as cidades se tornaram um cenário silencioso; silencioso até o terror
começar.
Eva soltou os cabelos negros, deixando-os cair sobre os ombros. Edward e Joseph chegaram quase ao mesmo tempo, sentando-se primeiro para depois soltarem as armas que carregavam. Os três fizeram o mesmo processo, não necessariamente na mesma ordem: verificaram os cadarços dos coturnos, apalparam o corpo em busca de áreas doloridas e que poderiam estar sangrando, verificaram as armas, limparam um pouco as roupas; todsa pretas. Eles usavam camisetas lisas, com jaquetas de couro por cima e calças jeans escuras, prendendo vários cintos de arrebites. Ela tinha uma blusa de alças grossas, com o escrito "Iron Maiden" desbotado, uma jaqueta e um short jeans escuro. Todos de olhos negros de lápis. Tanto evitar cores chamativas quanto usar maquiagem sombria para mesclar-se vinham, parte de estilo, e parte de precaução; se tinham que ser imperceptíveis nos sons, também teriam que ser visualmente.

Sentaram-se entre no fundo do supermercado, com a geladeira que Joseph acabara de assaltar à direita e o açougue vazio à esquerda.

- Preparem-se para comer feito reis - Falou Eva, numa voz levemente baixa - Consegui enlatados de atum, milho e ervilhas.
- Bom, está pra melhorar! Consegui refrigerantes, mas tão quentes - Completou Joseph - Peguei quantas garrafas de água consegui, tem mais lá, acho bom a gente dividir. Ah, peguei chicletes também, se quiserem. Ev, aqui estão suas pilhas - Joseph jogou para ela um pacote de pilhas novas, fazendo o mesmo com Edward em seguida - Pegue também, Ed!
- O perímetro parece limpo. Pucos ruídos, mesmo assim só de pedras rolando. Nenhum passo ou coisa assim - Falou Edward enquanto guardava o pacote de pilhas na mochila verde-escura - Não devem ter passado por aqui antes, esse lugar não parece ganhar muita atenção deles...
- Tava pensando nisso - Acrescentou Joseph - Tinham muitos pacotes de pilhas na prateleira, não devem ter passado por aqui antes... Fora as bebidas, a geladeira tava quase cheia ainda.
- O mesmo com as prateleiras - Falou Eva, enquanto abria as latas e entregava aos parceiros - Quase todas as latas ainda estão no prazo, poderiamos passar dias, talvez até meses aqui, já que parece que esse lugar não é o favorito deles...
Os três pararam para suspirar. Como seria bom se milagres acontecessem e aquela cidade não tivesse nem dez deles; como seria bom usarem cada lata e garrafa daquele supermercado até esgotarem tudo; quanto tempo isso daria? Racionando? Talvez uns dois meses, ou mais! Dois meses sem preocupações, dois meses descansando os corpos e as feridas; dois meses de pura recuperação após um ano e meio vivendo como nômades. Dois meses para virarem reis e poderem recomeçar sua jornada descansados. Renovados.
Mas milagres assim não existiam. Não mais. A cidade podia estar limpa agora, mas ELES também eram capazes de migrar para lá. E como saberia que esse dia chegou antes de ser tarde demais?
Cada um estremeceu pensando no que aconteceria se fossem pegos. Porém, os estômagos estavam famintos demais para se embrulhar com isso.

Eva entregou garfinhos de plástico, típicos de festas infantis, para cada um e começaram a comer.
- Seria muita sorte encontrar um mp3 novo... - Comentou Joseph.
Os outros riram.
- É sério! Eu sinto falta de música... fora que o da Eva tá cheio de bandas que eu nem conheço...
- E como você faria pra colocar músicas num mp3 novo? - Perguntou Edward, segurando um pouco a risada rouca.
- Não sei... Na verdade, seria melhor um novo celular com mp3, já que o áudio do meu não funciona mais... Daí eu só passava, você sabe, por bluet...

Gemidos desafinados, semelhantes a uma pessoa sendo torturada, ecoaram na rua.

Os três ficaram em silêncio.

Esperaram, com o barulho dos corações acelerando.

Mais um gemido, dessa vez mais próximo.

As três lanternas foram imediatamente desligadas.

Eva fechou os olhos, pronunciando algo para alguém que não estava ali com eles.

Joseph e Edward aproximavam as mãos das armas, mantendo total atenção em cada ruído; aquele que eles tanto temiam crescia na rua.

Os passos pesados.

- Estão se aproximando - Sibilou Edward.
- Não sabemos quantos são - Cochichou Joseph - Não se mexam!
Era um pedido desnecessário de tão óbvio, mas não deixava de ser impossível de ser realizado. A tensão de ver a qualquer momento o primeiro deles, perambulando do outro lado da porta de vidro, sua pele morta descascando, mostrando largos pedaços de sua carne fria; seus olhos brancos, suas roupas rasgadas, suas bocas deformadas cheias de dentes podres; e, por todo o seu corpo, manchas de sangue.

O primeiro. Claramente apodrecido. Claramente morto. Ainda assim, andando delirantemente em busca de carne fresca. Cambaleava como uma pessoa perdida no deserto em busca de um oásis; um oásis que ainda respirasse, bombeasse sangue e que gritasse desesperadamente de dor quando sua pele e carne fossem rasgadas e arrancadas por seus dentes.

O segundo, andando assim como o primeiro. Terceiro, quarto, quinto...

Passaram todos sem olhar para os lados; mesmo se olhassem, possivelmente não veriam os três encolhidos na escuridão. Sua visão estava longe de ser das melhores, seu olfato só captava cheiro de sangue fresco. Mas sua aduição estava sempre atenta aos ruídos da vida.

Foram dezessete ao todo. Não era um número muito preocupante, mas poderiam ter mais na região. Os três poderiam ter cuidade de todos eles num piscar de olhos; mas é possível que teriam enfrentado muito mais nos minutos seguintes.

Os três permaneceram em silêncio, agora comendo com as mãos cuidadosas. Ouviram atentamente os gemidos se afastarem, subindo a rua. Ganharam algumas lojas de distância, silenciando-se lentamente com o horizonte.

Era possível cochichar agora.

Joseph acendeu sua lantera; foi o único.

Eva olhava para seus companheiros. Edward estava tenso; Joseph suava, mastigando lentamente o atum frio.

Lentamente, ela voltou a comer seu atum com ervilhas. Odiava quando coisas assim aconteciam. simplesmente era uma tortura ficar parada e vê-los passando livremente. Tinha uma vontade absurda de revidar, explodir cada um daqueles malditos zumbis; mas não podia fazer nada, por seus companheiros. De nada valia abandonar tudo depois de tanto tempo lutando. Ainda tinha esperanças de encontrar outras pessoas, talvez até um lugar seguro. Uma fortaleza, com centenas de pessoas vivas, sãs e salvas em seu interior. Uma tentativa desesperada de sobrevivência.

Eva olhou para a prateleira acima de Edward.

E seus olhos se arregalaram.

- Merda - Falou ela.

Os meninos olharam para ela, esperando uma resposta. Mas Eva apenas apontou para o que via.

Trilhando os pacotes da prateleira, tinha um espirro de sangue.

Não grande o suficiente para ser notado de cara; não pequeno o suficiente para não ser preocupante.

Joseph e Edward pularam para trás quando viram. Joseph olhou apavorado para Eva.
- Não fomos os primeiros a chegar aqui - Gaguejou
- Mas a porta da frente tem apenas alguns pequenos quebrados - Cochichou Edward - Não há como...
Eva esbranquecia drasticamente conforme tudo ficava claro em sua cabeça.
- A porta dos fundos!
Silêncio.
- Como? - Perguntou Edward, numa tentativa desesperada de afugentar a conclusão que já apavorava Eva e que agora crescia em sua cabeça.
- Quem verificou... A porta dos fundos?

O sangue fugiu do rosto dos três. Não sabiam como ela estava; não sabiam mesmo SE ainda estava.

Um gemido ecoou, do lado oposto ao dos outros, e muito mais próximo.

Joseph e Edward pegaram seus fuzis M16. Eva desprendeu as duas submetralhadoras Uzi da cinta. Ela sabia o risco que corriam: alguns tiros certamente atrairiam os dezessete que passaram de volta. Mas era melhor do que sangrar e atrair mais de cem em alguns minutos.

Outro gemido, ainda mais alto, aproximando-se com passos pesados vindo do açougue.

Eva sentiu o ar de seus pulmões fugir; seu rosto banhar-se em pânico.
- Eles estão aqui dentro.


Continua...

You, what do you own the world?

Nada como viver um dia após o outro...
Nada como enxer a cabeça de pensamentos, livros, músicas e planos com os amigos; talvez só assim não passamos o tempo apodrecendo pensando nas coisas que não aconteceram ou acabaram.
Nessa hora, vejo nossa cabeça como um copo cheio de ácido; um ácido levemente corrosivo, mas ainda capaz de rachar o fino copo se ficar muito tempo nele; o que nos resta fazer é substituir o ácido por outra substância, reenxer o copo de memórias frescas e experiências boas. Longe de ser uma coisa fácil, mas muito simplesmente se torna algo importante.

Enquanto enxemos o copo com a outra substância, por que não ouvimos uma música?
Por que não... Comemos sementes como um Passatempo?


Conversion the software version seven point oh (7.0)
looking at life through the eyes of a tire hub
eating seeds as a pastime activity
the toxicity of our city, of our city

You, what do you own the world?
how do you own disorder, disorder
Now, somewhere between the sacred silence
Sacred silence and sleep
somewhere, between the sacred silence and sleep
disorder, disorder, disorder

More wood for the fires, loud neighbors
flashlight reveries caught in the headlights of a truck
eating seeds as a pastime activity
the toxicity of our city, of our city

You, what do you own the world?
how do you own disorder, disorder
Now, somewhere between the sacred silence
Sacred silence and sleep
somewhere between the sacred silence and sleep
disorder, disorder, disorder

You, what do you own the world?
how do you own disorder
Now, somewhere between the sacred silence
Sacred silence and sleep
somewhere, between the sacred silence and sleep
disorder, disorder, disorder

When I became the sun
I shone life into the man's hearts
When I became the sun
I shone life into the man's hearts.

(Toxicity - System Of A Down)

segunda-feira

Tinta Preta...

Muros escritos.

Nossos versos nas paredes do mundo do Capital.
Nossos poemas, causas perdidas, gritando nossos sonhos para os poderosos.
Lutamos na escuridão das ruas para escrever nossas mensagens a nossos iguais
Andamos pelas ruas, acompanhados pelos olhos da ignorância
Com nossas roupas pretas, papéis amassados e canetas usadas.

Podemos morrer essa noite, por falarmos em nome das maquiagens borradas
Mas ao menos, deixamos palavras nas paredes.
Fizemos da cidade o nosso livro
De lições que ainda tem que ser aprendidas.

Palavreados...

Com licença, Senhor

Pierre virou-se lentamente, encarando o homem de barba branca atrás dele. Pois não!
Ouvi falar muito de seu espetáculo, me soou famoso, e estou impressionado com tamanho estilo que vocês tem!

Os olhos brilhantes em olheiras arregalaram, mudando a resposta. Ora, bem... Obrigado!
O Homem de barba era rechonchudo. Vocês costuram suas roupas?
O sorriso malicioso finalmente apareceu. E algumas coisinhas a mais, respondeu Pierre.

Oh, verdade? O que, por exemplo?
Ah, nada de especial... As vezes temos acidentes, temos que saber como consertá-los, sabe...
O rechonchudo assentiu lentamente. Elas têm cores muito bem definidas!

Ora, obrigado! Elas combinam... Hmm... Com a maquiagem.
O rechonchudo assentiu novamente. Claro, uma maquiagem muito bem feita! Mal vemos marcas de tinta! Há como eu ver suas técnicas?!

Os olhos de Pierre brilharam, seu sorriso afiou. Claro, meu senhor! Venha comigo...
Entraram atrás da lona preta, seguidos por passos, silêncio, um grito e gargalhadas.
Temos dedos e braços novos, anunciou Pierre para todos os artistas aquela noite. São um tanto gordos, se não se importarem...

(Pelo conto Há algo notório Sob a Cartola preta, em "Contos")

Tesouras Cegas...

Personagens.

Gosto de assimilar nossa vida com um grande livro; nós, somos o elenco, os personagens.
Isso significa algo além do óbvio. Entrar na vida, é como ser um novo personagem. Não é você que escolhe o que vai ser. Você pode aparecer na trama como um milionário ou um miserável. Não cabe a nós escolher como começaremos, com que começaremos ou como seremos;
De uma maneira, as pessoas se assustam. Em especial aquelas que gostam da vida que tem. "E se eu tivesse nascido em outra família/situação financeira/país/época? Como eu estaria agora?".
Pode não ser a resposta certa para isso, mas sem dúvida é a que faz mais sentido. Você estaria como quisesse estar; isso não quer dizer que seria como é hoje, que seria como quer ser, mas seria alguem buscando algo, assim como é hoje. Existem N elementos no mundo que nos influenciam, que nos prendem em situações dificeis, e muitas vezes, pensamos que não temos escolhas.
Sempre temos escolhas.
Escolhemos pelo fácil, rápido e seguro, porém cheio de consequências;
Ou pelo demorado, difícil, longo, dolorido e possivelmente até incerto, mas que traga tudo o que queremos depois de muito tempo esperando na escuridão.
O acaso não acontecerá se esperarmos por ele; o acaso é a chuva quando se faz o incêndio. Está fora de nosso controle, mas cabe a nós, de alguma maneira, usá-lo a nosso favor.
Muitas vezes, o acaso nos colocará sozinhos, e por isso cabe a nós conhecermos e confiarmos em nós mesmos para sobrevivermos o tempo que for preciso na espera e agonia.
Outras, o acaso nos colocará amigos bem ao nosso lado, a ponto que escolhas doloridas e dificeis murcharão perante a ajuda que teremos quando chegarmos a escolhe-las.
Personagens, saibam como vieram à trama. Saibam que não temos culpa de onde começamos nossa jornada, mas o rumo que ela vai levar depende exclusivamente de nós. Se não gostam de ser os coadjuvantes, levantem-se.
Corram atrás de suas vontades e façam de si o maior e mais importante personagem de sua históra
Será que Insônia é o resultado de nossa Ansiedade que não consegue Desligar
Ou será que é uma Idéia muito boa
que pediu um Tempo para Chegar?

domingo

Monstruosidades...


Versos Tortos
Meu celular ta no braço do sofá.
Estou esperando ele tocar.

Faz algumas horas que vim pra cá.
Por uma mensagem sua estou esperando

Ah, mas que agonia infernal!
Estou cansado desse meu rival
Pensar que você está beijando ele
E eu aqui, afundando.

Ah se eu estivesse com você agora
Te abraçaria, te beijaria toda hora
Esses versinhos parecem tão simples
Mas é a realidade...

Estou expremendo minha cabeça
Para as rimas saírem...

Só espero que você não se esqueça
da minha existência...

No momento, preciso só do seu carinho
Sem você fico tão sozinho
Passar tanto tempo longe de você
Já me parece demência!

Ah, se eu estivesse com você agora
Te abraçaria e beijaria toda hora
Já lotei linhas de versos tortos
Mas ainda não te ganhei...

Alvorada...

Alegria.
Só de pronunciar tais sílabas, nosso rosto abre um sorriso espontaneamente.
Ela vem, brusca como uma explosão graças à apenas uma centelha que acenderam ao nosso lado; sentimos nosso corpo em queimar de tanto bem-estar, enquanto mal conseguimos conter sorrisos, cantar músicas e afirmar mais de uma vez para a nossa consciência que a vida é bela. Oh, como ficamos felizes por termos sobrevivido até aquele momento, apenas para desfrutar o calor de um dia ensolarado ou a melodia de uma bela música; temos vontades que antes não tínhamos; queremos começar novos hábitos, experimentar o desconhecido, enfrentar nossos medos.
Estamos em chamas.
Queremos ser a melhor companhia do mundo; queremos fazer amigos novos para termos bons momentos que nunca imaginariamos ter; e queremos agradecer aos antigos por terem ficado ao nosso lado sempre que precisamos; qualquer mensagem, qualquer noticia faz nosso coração enxer, pois nos sentimos amados e queridos; e, aos poucos, nosso coração pede mais do que isso: ele quer paixão.
Talvez não um amor, mas uma paixão, que queime tão intensamente quanto essa alegria que nos consome. Queremos dividir com algúem tudo de bom que sentimos, queremos alguém para beijar e abraçar, sentir as chamas da nossa alegria e viver conosco esse dia ensolarado.

Mas todo dia ensolarado tem seu crepúsculo.
Toda chama queima, intensamente, até não poder mais.
Então morre.

Tristeza.
A palavra que faz cada sorriso parecer impossível.
Ela vem, brusca como ser lançado numa lagoa fria, graças à apenas um empurrão que nos fez cair do topo. Nosso corpo aos poucos pesa, nossa auto-estima afundando, conforme a alegria parece se tornar impossivel de reacender assim que nos vemos cercados de água; não há nada bom o suficiente para te levantar, não há ninguém que consiga rasgar um sorriso em seu rosto. Músicas passam a não fazer sentido, ao menos que nos façam afundar mais e mais, numa tentativa desesperada de ver se morremos afogados em tristeza pois não aguentamos mais ficar sem ar. Cada momento feliz parece um sonho inalcançável numa realidade cruel. Não temos forças para nada, pois mesmo os hábitos antigos parecem não fazer sentido. Qualquer sorriso ou consolo amigo parece raro uma bolha de ar, mas nos deixa um pouco mais próximos da superfície. E o desespero, de ninguém mais vir te salvar a tempo; não temos ar suficiente em nossos pulmões para gritar por ajuda; e o desespero de afundar a tal ponto de ver, de relance, o olhar triste de alguém que tentou desesperadamente te ajudar, mas não conseguiu.
Onde foi nossa força? Onde foi nossa coragem?
Tudo nos machuca, tudo nos assusta. Uns fazem o possivel para se afastar, de medo de machucar, enquanto se debatem, seus próximos que tanto ama. Outros, afundam tanto que não tem mais coragem de se afastar; choram desesperadamente na noite quando se veem sozinhos e perguntam-se se finalmente chegaram ao ponto que o afogamento estará completo.

Precisamos de nossas chamas novamente.
Tão fortes, intensas, repentinas
Que possam ferver a água fria, evaporá-la permanentemente para podermos respirar livres novamente. Uma mensagem, uma notícia, uma mera manifestação de carinho é capaz de esquentá-la; mas se forem constantes, vindas de infinitas fontes diferentes, a água e escuridão vão evaporar.
E num sopro repentino, uma jorrada de ar,
Estaremos arfando por termos acordado de um pesadelo.
E abraçaremos, com um quente sorriso no rosto, quem esteve ao nosso lado por tanto tempo;
E que tornou possivel acordarmos de mais um pesadelo.